terça-feira, 18 de janeiro de 2011

GESTAÇÃO

     Há alguns dias vi um filme chamado, "Por trás do Pano", uma produção brasileira, pouquíssimo conhecida que fala do processo de dois atores na construção de uma peça.


  Acho que é a primeira vez que eu vejo algo tão natural, tão real. Particularmente gostei do filme, simples, mas gostei.
  Quando vejo algo assim, me coloco no lugar, comparo com minhas experiências de atuação e ri-o das manias em comum.
  O texto que vem a seguir é um desenrolar de uma frase do filme ao qual misturo com minha opinião mais que pessoal.

"        O Teatro é como um parto dói um pouquinho mas no final da tudo certo.
        Eu não compararia o teatro como um simples e comum parto, mas sim como uma gestação inteira e assim rola uma brincadeira de cronologia que quando a gente espia tudo no mundo é tão igual e tão cíclico que poderíamos juntar inúmeras situações que todas passariam por processos que se assemelham.
      Quando nasce a ideia de montar uma peça comparo-a ao ato sexual, que numa euforia sem tamanho vamos nos envolvendo na ideia como uma grande brincadeira, (comparando com pessoas apaixonadas fazendo sexo e pessoas apaixonadas por teatro pensando em fazer teatro), que quando a ideia se consolida e sai do plano das ideias soltas e desconexas e passa a ser algo supostamente "coerente" é como o momento culminante: o prazer.
     Depois disso quando começamos a colocar a mão na massa para produzir é como se fosse o descobrimento da gestação, você não fica triste, vem uma alegria que esquenta o coração por estar se concretizando, mas ao mesmo tempo vem a consciência do que você começou a fazer e começa a pensar nos gastos, a se preocupar e projeta quanto tempo vai levar pra deixar aquilo pronto. Abaixa a cabeça e trabalha, por que já prevê que ao final, as atenções saíram de você e serão voltadas unicamente ao seu "filho", como ficou, as qualidades e defeitos e etc...
     Depois você passa muito tempo vendo o negocio crescer, dentro do teu coração e da tua cabeça, e por fora as coisas vão aparecendo devagar. O tempo passa devagar parece que as coisas estão lentas de mais. As vezes dá uns probleminhas no meio do caminho mas tudo é solucionado de maneira que não prejudique de maneira nenhuma o produto final e a preocupação maior é que esses probleminhas no meio do caminho não gerem nenhuma deficiência.
    O final, o final é realmente como um parto, nos últimos meses você sofre, sofre, pensa, por que foi fazer aquilo, se frustra por que não consegue ver ainda o resultado final e só fica pensando em terminar, terminar, deixar pronto, arrumado, bonitinho, redondinho, e ansioso demais querendo mostrar aos outros o produto final de tanto tempo de gestação.
  Quando nasce é uma mistura de tudo, de dor, sofrimento, ódio, mas o maior e mais poderoso é o puro amor pela arte e a certeza de que deu certo.
  E assim como pai orgulhoso do filho que nasceu, nós o exibimos como algo que não nos pertence mais, pois já saiu de dentro da gente e agora pertence, simples e somente ao mundo. "

Ciana Moraes
19/01/2011 

Um comentário:

  1. Oi flor,
    Primeiro bem-vinda ao mundo bloguístico...ehehehe...aqui você vai encontrar de tudo um pouco com certeza, muito trabalho mas com certeza muita recompensa. EHehehhe...eu como blogueira meio fanática falo por experiência própria. Ehehhe muito legal esse seu post e me lembrei de vocÊ falando nos últimos meses de ensaio da nossa peça realmente é complicado ne...ehehehe mas com certeza vale a pena. Eheheh eu to de blog novo http://leiturakriativa.blogspot.com/ e um blog de livros, filmes, história e teatro que eu comecei no final do ano passado. Vou levar teu link lá para meu blog eheheh. bJKS

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