quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Perfume.

O cheiro que sinto é do teu perfume,    Meu olfato já é aguçado quando se trata de ti.
O cheiro que sinto é do teu perfume.
O cheiro que faz meus pensamentos se perderem
em lembranças de noites de lua cheia.
Um cheiro forte, imponente, marcante.
Teu cheiro.
O perfume não tem cheiro de flor,
tem cheiro de calor, de amor.
Ah! Meu amor,
tua fragrância é escondida do modo mais secreto,
sincero, discreto, e esperto possível.
Eu, um frasco de vidro a ser trabalhado, lapidado.
E as fragrâncias que aqui se descobrirem serão as mais raras.
Mas a fragrância que fica é a tua,
aquela que meu coração procura não deixar fugir.
Tenho medo que teu cheiro forte de cidreira
se perca em meio ao meu desespero de não lhe ter aqui,
e me leve a fazer besteira
de permitir que partas antes que eu possa descobrir
a essência de teu ser
e te faça perceber que a minha essência
é o que falta para tua virar perfume Francês.


Ciana Moraes
2007

Quixotesco

                 Se assim fosse os meus sonhos tão grandiosos quanto os de Dom Quixote, diria eu que me tornaria feliz.
               Ao som das maiores melodias tocadas e dos melhores versos recitados, seria eu uma pessoa feliz.
             Que ao nascer do sol ouvisse a gloriosa musica que os anjos proclamam a Apólo, assim me tornaria uma pessoa feliz.
             E ao andar da carruagem que desliza leve e serena pelo escuro da madrugada, ao embarcar a dama mais bela da noite, eu a levaria para o sonho mais belo que ela poderia ter, e vendo assim sua satisfação e seu prazer ao respirar, e ao estar ao meu lado, tornaria-me eu uma pessoa feliz.
            Que quixotesco como eu, poucos ão de ser e poucos ão de existir
           Mas assim em meus devaneios, tão grandes quanto os de Quixote, esforçaria-me eu de me tornar uma pessoa feliz.
        
  E lutar com tanta bravura e destreza pelos meus sonhos gigantes e enfrentar todos os monstros que ão de haver nesse universo paralelo, em que as coisas são mascaradas para poderem ser enfrentadas da mesma maneira que meu rei.
        E assim ei de ser Quixotesco como eu.
        Que em noites de lua cheia enfrenta seu gigante, com toda destreza que há de existir, e quando a felicidade perdida se encontrar, repartilharei em um trilhão de pedaços, pois a mim ela nunca caberá, se eu nao reparti-la igualmente com todo ser que aqui habitar.
       E assim Quixotesco como eu, vou acreditar, que a felicidade minha poderá se multiplicar e a todos alcançar.
      Ciana Moraes
      12/10/2010

Poesias

Buenas pessoal!

Os posts a seguir serão algumas poesias que tenho guardadas no baú.
Desde muito nova gosto muito de escrever e tenho coleções de poesias, pequenas histórias e contos....

Normalmente impessoais-pessoais, que saíram de mim como um suspiro que ao me inspirar escrevi sem pensar e deixei amadurecer, depois de um tempo, podei, mexi, costurei e agora estão como estão.

Espero que gostem!!

Um beijo
Ciana Moraes

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

GESTAÇÃO

     Há alguns dias vi um filme chamado, "Por trás do Pano", uma produção brasileira, pouquíssimo conhecida que fala do processo de dois atores na construção de uma peça.


  Acho que é a primeira vez que eu vejo algo tão natural, tão real. Particularmente gostei do filme, simples, mas gostei.
  Quando vejo algo assim, me coloco no lugar, comparo com minhas experiências de atuação e ri-o das manias em comum.
  O texto que vem a seguir é um desenrolar de uma frase do filme ao qual misturo com minha opinião mais que pessoal.

"        O Teatro é como um parto dói um pouquinho mas no final da tudo certo.
        Eu não compararia o teatro como um simples e comum parto, mas sim como uma gestação inteira e assim rola uma brincadeira de cronologia que quando a gente espia tudo no mundo é tão igual e tão cíclico que poderíamos juntar inúmeras situações que todas passariam por processos que se assemelham.
      Quando nasce a ideia de montar uma peça comparo-a ao ato sexual, que numa euforia sem tamanho vamos nos envolvendo na ideia como uma grande brincadeira, (comparando com pessoas apaixonadas fazendo sexo e pessoas apaixonadas por teatro pensando em fazer teatro), que quando a ideia se consolida e sai do plano das ideias soltas e desconexas e passa a ser algo supostamente "coerente" é como o momento culminante: o prazer.
     Depois disso quando começamos a colocar a mão na massa para produzir é como se fosse o descobrimento da gestação, você não fica triste, vem uma alegria que esquenta o coração por estar se concretizando, mas ao mesmo tempo vem a consciência do que você começou a fazer e começa a pensar nos gastos, a se preocupar e projeta quanto tempo vai levar pra deixar aquilo pronto. Abaixa a cabeça e trabalha, por que já prevê que ao final, as atenções saíram de você e serão voltadas unicamente ao seu "filho", como ficou, as qualidades e defeitos e etc...
     Depois você passa muito tempo vendo o negocio crescer, dentro do teu coração e da tua cabeça, e por fora as coisas vão aparecendo devagar. O tempo passa devagar parece que as coisas estão lentas de mais. As vezes dá uns probleminhas no meio do caminho mas tudo é solucionado de maneira que não prejudique de maneira nenhuma o produto final e a preocupação maior é que esses probleminhas no meio do caminho não gerem nenhuma deficiência.
    O final, o final é realmente como um parto, nos últimos meses você sofre, sofre, pensa, por que foi fazer aquilo, se frustra por que não consegue ver ainda o resultado final e só fica pensando em terminar, terminar, deixar pronto, arrumado, bonitinho, redondinho, e ansioso demais querendo mostrar aos outros o produto final de tanto tempo de gestação.
  Quando nasce é uma mistura de tudo, de dor, sofrimento, ódio, mas o maior e mais poderoso é o puro amor pela arte e a certeza de que deu certo.
  E assim como pai orgulhoso do filho que nasceu, nós o exibimos como algo que não nos pertence mais, pois já saiu de dentro da gente e agora pertence, simples e somente ao mundo. "

Ciana Moraes
19/01/2011